09 janeiro, 2010

Caças suecos x franceses: colisão política à vista

 

Quando o presidente Lula retornar a Brasília nesta semana, depois de ter passado o recesso de ano-novo refrescando-se nas águas tranquilas da Praia de Inema, na Bahia, pousará sem paraquedas na primeira encrenca política de 2010. Os brigadeiros da Força Aérea finalmente encerraram a licitação para escolher qual modelo de caça substituirá a envelhecida frota do país – e fizeram o favor de optar pelo avião que o presidente não quer. Após meses de exaustivos testes em voo e de criteriosas análises tecnológicas dos caças Rafale, da França, F-18 Super Hornet, dos Estados Unidos, e Gripen, da Suécia, os militares decidiram-se pelo último.
Trata-se de um investimento estratosférico: o governo pretende gastar cerca de 10 bilhões de reais na compra de 36 caças. São 10 bilhões de motivos para barulho, como ficou evidente na semana passada depois da revelação do relatório técnico da Aeronáutica. Para os militares, que tiveram o apoio sigiloso da Embraer, os aviões escolhidos constituem o melhor negócio porque são mais baratos, mais eficientes, gastariam menos quando fossem à oficina e, sobretudo, permitiriam a transferência integral de alta tecnologia à Força Aérea e também à Embraer. O único defeito: são aviões suecos, não franceses.

Fonte:Revista Veja

08 janeiro, 2010

"A responsabilidade é minha"

 

WASHINGTON

Barack Obama assumiu a responsabilidade pelas falhas na segurança que acabaram dando margem para o atentado frustrado contra um avião no Natal, quando um nigeriano quase conseguiu explodir um voo de Amsterdã para Detroit, o que só não ocorreu por uma falha no explosivo. "Quando o sistema falha, a responsabilidade é minha", disse o presidente.
Para evitar outros ataques no futuro, Barack Obama anunciou mudanças urgentes, entre as quais o reforço na vistoria dos passageiros e a ampliação da lista de terrorismo. Uma das recomendações é que o Departamento de Estado revija a maneira como emite e revoga vistos. A secretária Janet Napolitano, que viajará à Espanha para buscar medidas mais eficientes de segurança para a aviação mundial, antecipou que os EUA devem instalar 300 scanners avançados em todo o país. "Estou menos interessado em repassar a culpa do que em aprender e corrigir esses erros para que nós fiquemos mais seguros", disse Barack Obama na Casa Branca.
O relatório da Casa Branca também detalhou as descobertas iniciais sobre o ataque frustrado ao avião, que as autoridades atribuíram a Umar Farouk Abdulmutallab, 23 anos, que foi ligado a um ramo da Al Qaeda baseado no Iêmen. A documentação mostrou ainda que a inteligência falhou ao não dedicar recursos suficientes para lidar com a ameaça da Al Qaeda na Península Arábica.
O governo dos EUA tinha informação para evitar a tentativa. Embora o nome de Abdulmutallab estivesse em um banco de dados, esse detalhe não foi descoberto antes que embarcasse para Detroit, disse o documento.
Ao divulgar o material, Barack Obama pode estar tentando não apenas amenizar os temores da população, mas também minimizar os danos políticos ao governo antes das audiências do Congresso que vão discutir o assunto. Não é de hoje que os republicanos estão tentando pintar o presidente democrata como fraco em questões de segurança nacional. O objetivo é um só: faturar politicamente.

Fonte:A notícia

07 janeiro, 2010

2010, o ano do terrorismo?

 

Bom, isso era em 2009

 

Lembra-se de que, quando Barack Obama assumiu, faz um ano, dizia-se que seu êxito ou fracasso estaria condicionado, basicamente, pela aprovação de seu plano de saúde e pelo resultado da guerra no Afeganistão? (Com o passar dos meses, entrou na contabilidade o que Obama faria na Conferência do Clima de Copenhague).
Bom, isso era em 2009. Em 2010, a história começa a ser dife-rente. Obama está sob fogo pela velha "guerra ao terrorismo", o termo cunhado por seu antecessor George Walker Bush, cuja gestão foi claramente marcada por ele - do que resultou um sonoro fiasco, é sempre bom lembrar.
Não é por acaso que o ex-vice-presidente Dick Cheney, atirador-chefe dos neoconservadores, tem dito que Obama não parece estar conduzindo uma "guerra ao terrorismo", com o que acabou colocando o presidente na defensiva.
É puro oportunismo utilizar um atentado frustrado (o do voo Amsterdã/Detroit, que um fanático nigeriano, supostamente em nome da Al Qaeda, tentou derrubar) para acossar Obama, quando o governo de que Cheney fez parte, em vez de atentados frustrados, foi testemunha do maior ataque a território americano desde o bombardeio de Pearl Harbour, meio século antes.
É bom lembrar que, no período Bush (2001/08), houve 331 mortes em eventos ilícitos envolvendo aeronaves, sem contar, claro, as do 11 de setembro, de acordo com dados levantados pelo jornal espanhol "El País" junto à Organização de Aviação Civil Internacional.
Não estou dizendo que foram todos nos Estados Unidos ou que o governo Bush seja o responsável. Apenas registrando que a "guerra ao terrorismo" não estava sendo vencida antes de Obama assumir.
Mas oportunismo às vezes pega, até porque, se há algo muito difícil de controlar, é o terrorismo dos fanáticos, que não hesitam em matar e morrer no mesmo ato.
O pior é que começa a se consolidar a avaliação de que, cada vez mais, o terrorismo será praticado por indivíduos agindo ou por conta própria ou por encomenda dessa franquia terrorista chamada Al Qaeda.
Se já é difícil detectar uma célula terrorista, um só indivíduo é muito mais, obviamente.
De acordo com estudo divulgado pelo Council on Foreign Relations, a Al Qaeda tem células clandestinas autônomas em cerca de 100 países, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido, a Itália, a França, a Espanha, a Alemanha, para citar apenas países do mundo rico.
Só por aí já se vê que, mesmo que ganhe a guerra no Afeganistão, onde a Al Qaeda gozou de santuário durante o regime dos talebãs, não significará uma vitória completa contra o terrorismo.
Os Estados Unidos e seus aliados têm que levar em conta que o principal nicho da Al Qaeda, hoje, é o vizinho Paquistão, de acordo com o relatório de 2008 sobre terrorismo do Departamento de Estado.
Mas, ainda que se ataque o pacote completo (Afeganistão/Paquistão), restaria o fato de que a rede terrorista, incluindo franqueados da Al Qaeda, se estende pelo Oriente Médio, Su-deste asiático, África, Europa e Ásia Central.
O fanatismo complica ainda mais as coisas, de que dá prova a exortação ao crime praticada pelo xeque Ali Mohamud Rage, suposto porta-voz do grupo terrorista islâmico Al Shabab, que controla a metade sul da Somália. O xeque louvou o "bravo gesto" do rapaz de 23 anos, natural da Somália, que tentou matar Kurt Westergaard, o cartunista dinamarquês que desenhou algumas das caricaturas de Maomé que, anos atrás, provocaram a fúria de uma fatia grande dos muçulmanos.
Mais: Mohamud Rage, em declarações ao jornal "The Daily Telegraph", pediu "a todos os muçulmanos que sigam a boa ideia daquele homem [que atacou Westergaard]". Seria o início do "levante dos muçulmanos contra os agressores", concluiu.
Alguém se surpreenderá se houver uma nova tentativa de matar o cartunista ou uma nova tentativa de derrubar um avião ou atacar outros meios de transporte, como já ocorreu em Madri e Londres?

Fonte:Diário do Amapá

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